quinta-feira, 12 de março de 2015

Sobre o Impeachment

Acesso diariamente às redes sociais, leio todas as opiniões e o máximo de comentários que consigo, dentro do pouco tempo que me sobra durante o dia. Como alguns sabem, cursei Economia e apesar de formada, sou uma aluna incansável. De modo que procuro ler e aprender cada dia mais sobre esta complexa ciência.
O conceito de economia é a ciência de alocar recursos escassos da forma mais equânime possível evitando assim o desperdício. Parece simples, mas não é, pois se trata de um polinômio de muitas variáveis e elas impactam na vida de todos nós.
Quando inciei meus estudos, tive muita dificuldade em compreender como essa engrenagem funcionava. Surgiram uma série de conflitos pessoais, pois até então fui condicionada a pensar de uma maneira que achava ser a mais correta e justa. Descobri que meu pensamento era Keynesiano e o que é pior um pensamento Keynesiano distorcido. As ideias dos chamados "liberais" não entravam em minha cabeça de jeito algum, fato que me custou uma reprovação em Macroeconomia I.
Depois disso me dispus a colocar os meus 'ideologismos' a parte, abrir o livro de Macro e estudar. Foi então que tudo começou a fazer sentido e eu fiquei como diz a frase popular "com o rabo entre as pernas", porque julguei algo sem entender do que se tratava. Dei-me conta que toda esta briga entre esquerda e direita, no Brasil, é patética e eu senti vergonha. As tradições são estáticas e perigosas. Podem nos atrasar e até mesmo nos destruir.
Creio, que para todos meus colegas de profissão não há novidades sobre o que está acontecendo com nossa economia. Não foram poucas as vezes que discutimos o modelo de crescimento adotado pelo PT, desde a segunda metade do primeiro mandato do ex-presidente Lula. Desculpa-me quem não gosta do FHC. Eu também não gostava e ainda não sei se gosto, visto que me parece que ele engoliu um guarda-chuva, mas fui obrigada a estudar seu governo e devo lhes dizer que ele foi o mais sério e competente chefe de estado que tivemos. Não perfeito. Porque ninguém o é. Mas fez, sem dúvidas, o melhor que podia em um cenário caótico. Acho que os senhores se lembram muito bem como eram suas vidas antes do Plano Real, não é? Não tenho problemas em mudar de opinião. O pior é nunca reconhecer o erro e continuar propagando um monte de mentiras e besteiras que dizem por aí. Eu me equivoquei por pura ignorância. Digo sem pestanejar que o Plano Real foi o maior programa social que este país já presenciou. Sem estabilidade monetária, meus caros, não somos capazes nem de amarrar nossos próprios sapatos.
Luis da Silva assumiu e recebeu a bola redondinha. Diferente do que pensávamos ele manteve a matriz econômica construída pelo governo anterior. E matou a pau em seu primeiro mandato, somente imaculado pelo escândalo do mensalão. Triste página da nossa história. Eu havia votado em Lula, mas contra fatos não há argumentos. A máscara de bom homem que ele ostenta caiu de uma vez para mim e decidi que nunca mais ele receberia meu voto novamente.
Não gostava do Serra, porque depois de ler alguns textos que ele escreveu percebi que suas ideias não convergiam com as minhas, então usei a tática de análise curricular e ele ganhou o meu voto. Porém, Luis da Silva saiu vitorioso mais uma vez. Desde o final do primeiro mandato o então presidente já começara suas politicas populistas e ele foi contemplado com a crise de 2008. Em períodos de crise convém fazer uso da teoria Keynesiana, elaborada a partir da crise da década 30, quando a ortodoxia já não conseguia oferecer soluções imediatas para o caos social que se instalara. A teoria Keynesiana consiste em incentivar a demanda agregada facilitando o acesso ao crédito, diminuindo as taxações e os juros, levando ao aumento do consumo. E foi assim que se deu o milagre da multiplicação da classe média, a ascensão da classe C e a diminuição da pobreza.
Contudo, caros amigos, este remédio deve ser usado com parcimônia e em momento de baixa atividade econômica, onde há capacidade ociosa. A maioria dos Bancos Centrais, em todo mundo, encharcaram os mercados de dinheiro. Esta liquidez gera bolhas e no nosso caso voltamos a ser assombrados pelo fantasma da inflação.
Crescimento sustentável só é possível com investimento e este investimento deve vir da poupança do governo e do setor privado. Do jeito que foi feito pelo partido da situação só poderia dar nisso que deu. Não houve compromisso fiscal e os escândalo de corrupção brotam como formigas diante de um pote de açúcar. Financiar todo esse esquema nos custou muito caro e agora, como de praxe, nós é que somos obrigados a pagar a conta.
Creio que o desejo da maioria de nós é um país justo e mais igual, que nosso povo consiga viver com dignidade sem depender de esmolas, sem ter sua inteligência subtraída e suas prioridades substituídas pela tv de led full hd comprada no carnê das Casas Bahia. Infelizmente, vivemos mais uma vez o caos institucionalizado. Infelizmente, a corrupção está enraizada em nossa estrutura social. Entra partido, sai partido e os escândalos continuam: alguns em pequena escala outros em grande escala. Mas digo-lhes que a presidente reeleita é incompetente e como os senhores já perceberam, ela mente e mente bastante. Não fiquem decepcionados, porque ela está fazendo o ajuste nitidamente a contragosto. Só o faz porque sabe que é o único caminho de chegar ao fim desse mandato mesmo que para isso ela tenha que perder a saúde, o peso, os cabelos e a vergonha na cara.
Não existe crise internacional. Os EUA já se recuperaram e a Europa está se organizando, apesar do fantasma grego ainda rondar e preocupar bastante. A crise é nossa mesmo e foi criada pela presidente e sua equipe muito preparada (sqn), sendo encabeçada pelo ex-ministro da fazenda, Guido Mantega. Este senhor é uma piada no meio acadêmico por suas ideias sem o menor embasamento empírico.
Eu escrevi esse texto enorme para dizer que sou contra o impedimento da presidente. Dilma, mesmo que contra sua vontade, está disposta a fazer os ajustes, que são terríveis para nosso bolso, mas são necessários neste momento. O PMDB, percebendo que a fonte está secando, pressiona o governo e faz chantagem (bem a cara do PMDB). Por isso, não creio que o Temer (múmia) levará acabo as medidas contracionistas. Isto pode ter desdobramentos irreversíveis colocando-nos em um buraco muito mais escuro do que este que estamos. Porém, acho que todos os insatisfeitos devem ir a passeata e externar sua indignação com a roubalheira, com a impunidade, com o arrocho, com tudo de ruim que acontece no país.
Não haveria necessidade de passarmos por isso novamente. Chegamos nesta situação pela ganância desmedida de um partido e seus aliados, por despreparo dos que governam e tomam decisões e por burrice de referendarmos tudo isso. As mentiras que eles contaram e conseguiram iludir boa parte dos brasileiros estão sendo desmascaradas. A verdade tarda, mas ela chega. Eles criaram uma ilusão, "O Fantástico Mundo do PT", ou "PT no País das Maravilhas".
O momento é delicado. Lendo as postagens dos senhores percebo a intolerância muito presente, de todas as partes desse jogo. E eu não sei quais tipos de forças nefastas também os observam para se aproveitarem do sentimento dos senhores.
Sei que o sofrimento é grande. Peço que o senhores cuidem de suas saúdes mentais, porque vai piorar. Temos no horizonte a China, que vai desacelerar e os juros dos Bancos Centrais que podem subir a qualquer momento. São duas situações que podem nos levar a banca rota. Quanto ao dólar, sempre achei que houvesse mesmo uma 'gordura' a queimar, porque os EUA, naturalmente, recuperariam-se da crise  e a Europa também, como consequência, aconteceria uma reconfiguração do crescimento dos países. E eu sabia que o Brasil não estaria bem, como esteve em 2008, para suportar. mas não imaginei que chegaríamos nesta situação. Fato que sentia algo estranho no ar, mas era uma questão intuitiva e não científica. Na minha opinião, não há muito o que fazer. O governo deve permitir a subida da moeda e aumentar ainda mais os juros.
Tenho certeza que a presidente não aprendeu a lição, mas espero que o povo tenha aprendido, porque 'the dream is over'.

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