terça-feira, 17 de novembro de 2015

Pray for all

O pior dentre todas as tragédias as quais estamos enfrentando é o cansaço dos bons. Como é difícil ser bom. A enxurrada de lama que devastou uma cidade e matou um rio em Minas Gerais, lembra-me a enxurrada de lama da incompetência e da indecência moral tão presente em nossa raça.

Todos sabem que empresas que se utilizam de recursos naturais causam impactos ao meio ambiente. Uma grande amiga, que trabalha embarcada, certa vez relatou-me o quão a Petrobrás é exigente com as empresas estrangeiras, porém leniente com suas próprias operações. São impactos ambientais que acontecem todos os dias e nós não vemos. Mas sabemos que no Brasil nada funciona como deveria. Que aqui sempre existe alguém disposto a pagar propina e alguém a aceitá-la. Isso tudo com o respaldo da impunidade.

Só tomamos conhecimento quando uma grande tragédia acontece. A partir daí aparecem os órgãos competentes, aparecem as ONGs, os movimentos de sociedade civil, a imprensa, os partidos de esquerda, de direita e etc. Papagaios de pirata da tragédia, sem respeitar a dor daqueles que tiveram suas vidas soterradas.

A Presidente da República jogou a responsabilidade para cima das empresas. Obviamente elas são as maiores responsáveis. Faço questão de lembrá-los que as empresas são Vale do Rio Doce e BHP. São empresas privadas, porém o maior acionista da Vale é o governo brasileiro tendo seu CEO indicado pela presidência. Murilo Ferreira é amigo de Dilma. Ela, como sempre, preferindo os incompetentes ao seu lado.

A companhia passa por uma reestruturação motivada por uma crise financeira proveniente da queda do preço do minério, mas principalmente, pela sua ingerência. Para citar apenas alguns dos absurdos, a Vale reembolsava o pilates dos cônjuges de seus assistentes, um diretor jantava sábado à noite em um restaurante badalado da Zona Sul e um simples analista se hospedava em hotel cinco estrelas, tudo patrocinado pelo mágico cartão corporativo. Demitiram diversos funcionários. Estão entregando o prédio no Centro do Rio de Janeiro, que alugavam da Valia e se transferindo para a Barra da Tijuca. Este ano, os funcionários não receberão PL e a empresa fará empréstimo para pagar seus décimos terceiros.

Como podem notar a situação é muito delicada. Não adianta ir a porta da Vale e sujar a fachada do prédio de lama, porque quem vai limpar são os faxineiros, que foram reduzidos pela metade. Só prejudicam quem não tem culpa. O Sr. Murilo Ferreira e toda a executiva da companhia, provavelmente, não estavam no prédio e mesmo se estivessem, pouco se sentiriam atingidos. Por que não vão todos para a porta da casa dele protestar? Por que não abordam os funcionários pedindo doações para a população de Mariana e adjacências? Entendo a boa intenção de vocês que se manifestaram, mas estão canalizando isso da maneira errada. Estão agindo por influência de partidos que se alimentam da tragédia humana com o discurso do politicamente correto. Por que seus representantes não trabalham na prevenção e na supervisão daqueles que deveriam fiscalizar? A Vale e a BHP são as principais culpadas e devem ser responsabilizadas, mas todo mundo falhou e a presidente tem por obrigação assumir sua parcela de culpa.

Eu não sou usuária do Facebook, mas estou sabendo da briga sobre a solidariedade com a tragédia francesa. Concordo com quem diz que devemos olhar mais para nossos problemas. Tantos loucos, bandidos, psicopatas, matam por matar aqui no Brasil. Somos campeões em estatísticas de violência. Se botarmos na ponta do lápis, morrem muitos mais aqui pela violência urbana do que em todo mundo pelo terrorismo. Não entendo nada de relações internacionais, mas de economia tenho algum conhecimento e pela lógica econômica é no mínimo curioso, que um grupo criado em uma região pobre e fragmentada como a Síria consiga assustar desta forma o Ocidente capitalista, rico, poderoso e com sistema de informações avançado.

Impossível não fazer um link com a indústria de armas, que é a única a lucrar com este banho de sangue. Como já disse, tenho pouco conhecimento sobre o assunto, mas me parece que o Estado Islâmico se patrocina extorquindo seus compatriotas e com o dinheiro da produção de petróleo. O grupo terrorista conseguiu inimigos de ideologias distintas: esquerda e direita unidas contra o ISIS (sigla em inglês para o grupo terrorista Estado Islâmico). Dentre esses países, estão os maiores produtores de petróleo do mundo, que teriam meios de forçar o preço e prejudicar um das formas de financiamento do grupo sem derramar mais sangue de inocentes. Porém o dinheiro mais uma vez vem à frente. Ninguém quer perder nem que para isso vidas sejam sacrificadas.

Outro ponto importante neste conflito é o presidente russo, Vladimir Putin, ex-agente da KGB, que apoia a ditadura de Bashar al-Assad, a quem o ISIS é opositor. Toda esta fragmentação só favorece as organizações criminosas. Até agora não vi qualquer declaração do presidente russo sobre a barbárie de Paris. Essa guerra é regida por interesses que fogem da nossa simples vontade de viver nossas vidas em paz, em nosso território e criar nossos filhos com dignidade. Somo a este fato a constrangedora guerra no Iraque. E o resultado? Dinheiro a perder de vista gasto pelos EUA, vidas de muitos soldados e civis perdidas, destruição da região e surgimento do Estado Islâmico.
 
Parem de brigar no Facebook e vão fazer algo de útil. Vão cuidar de suas vidas, porque o mundo tem dono e se nós começarmos a nos digladiar dessa forma infantil só vamos piorar o cenário. Não iremos nos concentrar no que realmente é importante e no que está ao nosso alcance resolver. Boa sorte para todos nós. 

sexta-feira, 13 de novembro de 2015



Embora seja um clássico math trick, se aplica muito bem no dia a dia...
Mostra como tornamos uma inverdade em "verdade" através de uma "indeterminação matemática" que, no caso, é de um ponto de vista equivocado. 

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Martha Medeiros, como sempre maravilhosa e genial! Matou a pau com sua crônica de domingo em O Globo.


Quando você estiver discutindo com alguém que você gosta muito, adotando um tom alto demais porque precisa que essa pessoa entenda o tamanho do desespero que está sentindo, quando você, aos gritos, começar a trazer à tona coisas que essa pessoa fez muito tempo atrás a fim de incluí-las na sua argumentação, quando só lhe restarem palavrões na boca, quando você sentir que está perdendo a razão e também a compostura, acalme-se e diga para si mesmo: “Eu não sou assim”.
Se você não é barraqueiro e nunca foi deselegante, contenha-se. É triste ter que se afastar tanto de si mesmo a fim de manter alguém próximo. Deixe ir, então. A pessoa partirá de qualquer jeito. Fique em você mesmo.
Quando você estiver dizendo coisas que não tem vontade de dizer, quando sentir que está assumindo um personagem apenas porque é isso que a sua plateia está exigindo, quando você não reconhecer a autenticidade da própria voz, cale-se e pense: “Eu não sou assim”. Certamente as pessoas que estão com você não desejam você, apenas alguém que você é capaz de interpretar. Deixe-os partir, se eles não se satisfazem com sua naturalidade, e simplesmente mantenha-se em si.
Quando você for impelido a trair porque não está mais vivendo a vida que sonhou, quando for induzido a mentir para que a casa não caia, quando sentir-se obrigado a arranjar desculpas para disfarçar o próprio desejo, pergunte-se: sou assim? Ardiloso, falso, camuflado? Se você não é assim, se nunca foi assim, melhor enfrentar a verdade, como fazem os corajosos.
Quando você estiver num local que não lhe agrada, conversando com pessoas que não admira, rindo forçadamente de piadas que lhe soam grosseiras, quando estiver prometendo visitas que sabe que não fará, submetendo-se a situações bizarras ou vexatórias, escute o que seu desconforto está alertando: “Eu não sou assim”. Muitas vezes, especialmente no início da idade adulta, temos que nos adequar a certas contingências sociais se delas depende nossa sobrevivência, mas se você já percorreu um bom caminho, construiu uma vida digna e conhece a si mesmo melhor do que ninguém, não precisa se moldar a mais nada, conquistou o direito de ser integralmente quem é.
Quando você estiver sendo condescendente sem receber em troca o carinho que merece, quando você perceber-se desacomodado no que deveria ser aconchegante, quando sentir que está se adaptando com dificuldade ao que não lhe convém, tente perceber se está sendo educado ou se está sendo submisso – não são sinônimos. Educação é básico, mas não exige docilidade fingida nem servilismo humilhante. Pegue sua bolsa e tome o rumo de casa sempre que estiver escutando de si mesmo: “Eu não sou assim”.
A não ser que você seja.


segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Frase do dia

"O bambu enverga, mas não quebra."

Sábias palavras. É preciso ser flexível. Intransigência só gera conflitos e ninguém sai do lugar, ou melhor, às vezes por conta da intransigência perde-se muito. Se não damos o braço a torcer por bem, uma hora a vida vem e faz esse serviço por nós.