segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

2015: O Ano Que Não Acabou

O texto está sendo publicado com atraso.


Para o bem ou para o mal, 2015 entrará para a história. Quando minha sobrinha estiver na escola, estudará sobre este ano atípico. Vamos comemorar a chegada de um novo ano, que não existirá e 2015 será o ano que não acabou.

Fico triste, amigos. Pois quando ainda estava na faculdade de Economia, já discutíamos, em sala de aula, os desdobramentos da nova política econômica do PT. Com poucos recursos de análise que possuía, cravei a seguinte frase: "Dilma é o Sarney sem bigodes". Para minha surpresa, na semana passada, um colunista de O Globo, disse a mesma frase. Mas saindo um pouco dessa vaidade que lhes conto e voltando ao que realmente importa, o que pode-se concluir disso é que qualquer estudante do 5º período de Economia faria melhor.

Para quem estudou cada plano econômico, começando pelo ciclo da cana de açúcar, até os dias atuais, é revoltante assistir a tudo isso e não poder fazer nada. As mentiras que o PT contou e conseguiu enganar boa parte da população, são difíceis de serem desmentidas, pois para isso seria necessário uma plateia atenta e disposta a aprender, coisa que não temos em maioria democrática. Então, só nos restou ficar com o conselho dos antigos de que o tempo é o melhor remédio. Entretanto, mesmo com todos os escândalos e desmandos, o Partido dos Trabalhadores, ainda possui defensores ferrenhos e não são poucos. Até os que reconhecem a corrupção, continuam caindo no marketing da luta de classes, do coitadismo, continuam acreditando, que algo de fato foi feito pelos pobres.

Meus amigos, olhem o tamanho do buraco que nos metemos. Reconhecemos as conquistas sociais, mas elas só foram possíveis, porque sofremos e lutamos por uma moeda estável. Os senhores vão ao supermercado, os senhores pagam contas, os senhores recebem salário, tem filhos em idade escolar e muitos tem a ajuda do bolsa família. Porém não há bolsa família que dê jeito com a inflação alta. Sinto dizer aos senhores, que o PT os enganou esse tempo todo.

Não questionamos o auxílio da bolsa. Nosso questionamento é a falta de um plano de governo ao longo prazo e não esse curral eleitoral, esse voto de cabresto. Os senhores se deixaram seduzir pelo castelo de areias. Vivemos um governo paternalista, autoritário e incompetente, pois não consegue se quer dar um diagnóstico correto para nossos problemas. Dilma e sua nova e velha equipe não farão os ajustes necessários, pois não tem mais credibilidade. E como o Sarney, com suas ideias heterodoxas, cede à pressão popular. Os senhores não querem ouvir falar em custos para alcançarmos objetivos, por isso, elegeram quem mentiu melhor. Eu os compreendo, afinal, vivemos em um país, onde todos os dias polulam escândalos de corrupção. Obviamente, que o pensamento é de que se eles roubam, dinheiro é o que não falta.

Existe uma estrutura de poder montada de modo que só mudam as peças principais. Os azuis fingem odiar os vermelhos e os vermelhos fingem odiar os azuis. Cria-se uma disputa, que mais parece um jogo de futebol. Onde só a paixão interessa. Não há raciocínio lógico. Não se leva em conta a ciência, a estatística, o embasamento empírico e a história é distorcida e manipulada pelos dois lados.

O PT nos trouxe alguns aprendizados e reflexões. O primeiro é que nunca mais devemos reeleger quem quer que seja. Mesmo se o político fizer um bom trabalho. Agradecemos e seguimos adiante. A segunda lição é que acreditávamos que o "povo no poder" era a solução e vimos que as coisas não são bem assim. A terceira e mais importante é de que a linha desenvolvimentista é pura falácia. Gostaria que o Sr. Guido Mantega viesse a público se explicar das mentiras que também proferiu durante à campanha de Dilma. Passei a semana buscando os trabalhos acadêmicos de Mantega e Barbosa e pude dar boas gargalhadas. 

Gostaria de deixar claro aqui que votei 45, porém meu voto não foi para o Aécio Neves. Meu voto foi para a lucidez do Aécio Neves em entender o que de fato se passa com a nossa economia. Meu voto foi em sua equipe econômica encabeçada por ninguém menos que Armínio Fraga. Quem é Guido Mantega? Quem é Nelson Barbosa? Hoje os senhores tem acesso a informação. Procurem ler sobre essas pessoas, saber o que pensam, pois são elas que conduzem nossos destinos. Ainda hoje acho essa eleição da Dilma muito esquisita, pelo fato do Aécio ter perdido em Minas Gerais, estado pelo qual ele foi eleito e reeleito. De onde ele saiu com uma aprovação histórica e ainda conseguiu eleger seu sucessor e se eleger senador. Realmente, ainda não consegui digerir. Fiquei imaginando que foi pelo Vale do Jequitinhonha, que é uma região muito pobre de Minas, onde muitas famílias, provavelmente, recebem benefícios do governo federal, mas é um estado muito grande. Enfim, continuo achando curioso. 

Aqui, refletindo com meus botões, gostaria muito de um dia poder dar meu julgamento a uma gestão do PSDB. Infelizmente, o único parâmetro que tenho é o Fernando Henrique, que assumiu um país quebrado, desestruturado, com inflação batendo todos os recordes, com um passado manchado por duas moratórias e com um cenário externo totalmente desfavorável. Queria muito mesmo ver o PSDB governar com a casa arrumada, como ocorreu no Governo Lula. Antes que algum tarado político queira comer meu fígado, os meus comentários são sobre Economia. Estou falando de gestão. Corrupção, todos nós sabemos que existe desde que Cabral pisou nessas terras.

O caminho para sairmos dessa situação é tortuoso. Os remédios que curam são sempre amargos. O ajuste deve ser feito de forma séria, porque isso impacta na política monetária. Com o lado fiscal desarrumado, a política monetária é inócua. De nada adianta aumentar os juros. De qualquer forma enfrentaremos períodos de recessão e como consequência teremos mais desemprego. A inflação é rígida e não cede tão facilmente, porque preço é expectativa e com o cenário político tumultuado, os agentes econômicos ficam mais cautelosos. Fica difícil planejar a médio e longo prazo. Todos só querem se proteger de perdas. Ninguém se sente seguro a investir. Na minha opinião, o Governo deveria privatizar urgentemente. E eu começaria pelos correios, que desde a gestão do Lula, presta um desserviço para a população. Também não vejo nexo algum no Governo entregar cartas. A privatização nos ajudará a fazer caixa. E devemos acabar de uma vez com esse capitalismo de Estado, que incentiva o parasitismo. Os nossos empresários, em sua maioria, vivem de subsídios, de benefícios concedidos via pagamento de propinas. Se forem investigar os empréstimos feitos pelo BNDES, acho que é melhor construir uma cerca em toda Brasília, porque não sobrará um político para contar história.  

Peço, que neste momento mais emotivo do ano, o povo brasileiro reflita um pouco sobre sua própria postura e sobre o país que realmente desejam. Proponho essa reflexão, porque temos problemas culturais. Individualmente, somos muito mal educados. São coisas mínimas, que acontecem diariamente e não percebemos, porque está enraizado dentro de nós que aquilo "não tem nada demais". Guardar lugar na fila, parar no meio do caminho para conversar, andar mexendo no celular atrapalhando quem vem atrás, andar ultrapassando as pessoas como se estivesse em uma corrida de fórmula 1. O fumante, que anda por ruas muito populosas sem se importar se está jogando fumaça no rosto das pessoas. O pedestre, que percebendo um engarrafamento, atravessa a rua, como se não houvesse amanhã, com o sinal fechado para ele. O motorista de ônibus, que para em cima da faixa de pedestres, que ultrapassa o sinal, que para fora do ponto. Moro no Rio de Janeiro e a cidade está um grande canteiro de obras, soma-se a isso o trânsito, o calor insuportável, então vamos repensar nossas atitudes pra que possamos viver um pouco melhor. Para que possamos cobrar com mais afinco uma postura reta dos políticos. 

Eu ainda teria muitas outras coisas a dizer, mas já é tarde e eu ainda preciso arrumar o meu armário. Não quero entrar 2016, mesmo sendo 2015, parte II, carregando coisas velhas ou que não me cabem mais. Este é aquele momento em que praticamos o desapego. Eu, como cristã que sou, desejo um Natal de paz a todos. Que nós possamos entender e viver mais o exemplo do Cristo. Independente de crenças. Jesus foi um homem muito sábio e nos deixou grandes riquezas, a sua palavra e o seu exemplo. Vamos viver mais o que pregamos nas redes sociais, o que nós curtimos lá no Facebook. Não adianta você curtir uma bela frase se você não pratica o que tá escrito. Sejamos verdadeiros conosco, já é um começo. Forte abraço.


sábado, 19 de dezembro de 2015

Chove e me molho
Faz sol vou por marquises
Carrego sonhos leves
Evitando o sono pesado

Todo canto é casa
Todo pranto é passado

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

“Verba volant, scripta manent”

Quem me conhece sabe que sou uma pessoa de natureza otimista e que nunca reclamo do ano e nunca digo coisas do tipo "esse ano já deu", por exemplo, mesmo diante de tragédias pessoais, derrotas... creio que tudo pelo que passamos é fonte de aprendizado e crescimento. Quando nos permitimos arriscar, a nos doar, a viver, aprendemos, amadurecemos e criamos um universo interior muito mais rico. Contudo, 2015 foi um ano atípico. As últimas semanas foram intensas na política do nosso país. Sempre escrevo minhas opiniões a respeito. Dessa vez demorei a escrever, porque o ano me pesa nas costas com toda força, neste momento. Então vamos por fatos.

Primeiramente, a carta do Temer endereçada à "Presidenta", que não anda nada "contenta". Houve quem dissesse, que "Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas". A criatividade do brasileiro pra fazer piadas é realmente inata. Parece que de Mimimi Temer, ele não tem nada. A carta, na verdade, foi uma grande jogada. Parece que a proximidade do poder já fez coçar as mãos do nosso vice, que chorou mais que o Vasco da Gama, por ter sido rebaixado ao posto de vice decorativo. Tadinho. Tão bem intencionado quanto o Eurico Miranda. Coincidências da vida: horas antes da carta vazar, nosso vice decorativo esteve na Fecomércio, onde fez uma explicação mais detalhada do programa apresentado pelo PMDB com soluções para a crise econômica, "Uma Ponte Para o Futuro". Foi aplaudido de pé e deixou o local com gritos de "Presidente Temer".

Logo após a fofoca da carta, rolou um jantar de confraternização do Senado e como toda confraternização de firma teve mais fofoca. Kátia Abreu sentiu-se ofendida com uma piada do José Serra e arremessou-lhe um copo de vinho (queria ser uma mosca pra ter visto isso). Lendo a descrição da festa, feita pelo jornal o Globo, ganhei a lição de nunca mais ler jornal na hora do almoço. A gente acaba perdendo o apetite. Segundo os relatos do jornal, Michel Temer foi muito paparicado e teve sua mão beijada como se ele fosse o Don Vito Corleone. 

A sanha de Temer em chegar à presidência só atrapalha o processo de Impeachment, porque o marketing do PT se utiliza disso para que tudo pareça um golpe. Mas é importante não misturarmos as coisas. A situação do Eduardo Cunha também ajuda bastante ao PT. Enquanto ele for o centro das atenções, o processo de Impeachment ficará em segundo plano aos olhos do povo brasileiro. O argumento usado e implantado, mais uma vez, pelo marketing do PT é que o processo não pode ir adiante, pois quem iniciou os ritos foi Cunha e ele deveria estar preso e etc. Repito, não misturemos as coisas, por favor. Se formos pedir atestado de idoneidade para quem quer que esteja na presidência da câmara, acho que este pedido de Impeachment vai ficar pra próxima, pra próxima vida. 

Enquanto Brasília ferve, a nossa economia caminha a passos de uma "tartaruga paralítica" (por Boris Casoi). Se eu fosse o Joaquim Levy também escreveria uma carta reclamando de ser um Ministro decorativo, porque Dilma só escuta seus botões e só conversa com seu umbigo. Não quer perder de jeito nenhum a maior barganha de seu partido, que é o bolsa família. Fundo do poço, já posso avistar você. 


terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Pensamento do dia



Nenhum filósofo, historiador, nenhum sacerdote, psicólogo ou estudioso até hoje conseguiu explicar por que só houve uns 300 anos de paz entre os homens, nos últimos 10 mil anos.


Às vezes, acredito em natureza humana ruim, mas ai vejo uma mulher negra se jogando sobre um neonazista para evitar que ele fosse espancado em uma manifestação nos EUA. Às vezes, acredito na insegurança dos homens em relação ao seu destino, o que os fazem se agarrar desesperadamente a ideologias (religiosas, políticas, filosóficas), mas ai vejo um moleque árabe e outro israelense comendo juntos à mesa de um restaurante. Também tem o viés de que o homem é bom, mas a sociedade o corrompe, ai lembro dos idosos honestos que conheci. Tiveram uma vida inteira pra serem corrompidos, e não foram.


Não há explicação...