quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

“Verba volant, scripta manent”

Quem me conhece sabe que sou uma pessoa de natureza otimista e que nunca reclamo do ano e nunca digo coisas do tipo "esse ano já deu", por exemplo, mesmo diante de tragédias pessoais, derrotas... creio que tudo pelo que passamos é fonte de aprendizado e crescimento. Quando nos permitimos arriscar, a nos doar, a viver, aprendemos, amadurecemos e criamos um universo interior muito mais rico. Contudo, 2015 foi um ano atípico. As últimas semanas foram intensas na política do nosso país. Sempre escrevo minhas opiniões a respeito. Dessa vez demorei a escrever, porque o ano me pesa nas costas com toda força, neste momento. Então vamos por fatos.

Primeiramente, a carta do Temer endereçada à "Presidenta", que não anda nada "contenta". Houve quem dissesse, que "Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas". A criatividade do brasileiro pra fazer piadas é realmente inata. Parece que de Mimimi Temer, ele não tem nada. A carta, na verdade, foi uma grande jogada. Parece que a proximidade do poder já fez coçar as mãos do nosso vice, que chorou mais que o Vasco da Gama, por ter sido rebaixado ao posto de vice decorativo. Tadinho. Tão bem intencionado quanto o Eurico Miranda. Coincidências da vida: horas antes da carta vazar, nosso vice decorativo esteve na Fecomércio, onde fez uma explicação mais detalhada do programa apresentado pelo PMDB com soluções para a crise econômica, "Uma Ponte Para o Futuro". Foi aplaudido de pé e deixou o local com gritos de "Presidente Temer".

Logo após a fofoca da carta, rolou um jantar de confraternização do Senado e como toda confraternização de firma teve mais fofoca. Kátia Abreu sentiu-se ofendida com uma piada do José Serra e arremessou-lhe um copo de vinho (queria ser uma mosca pra ter visto isso). Lendo a descrição da festa, feita pelo jornal o Globo, ganhei a lição de nunca mais ler jornal na hora do almoço. A gente acaba perdendo o apetite. Segundo os relatos do jornal, Michel Temer foi muito paparicado e teve sua mão beijada como se ele fosse o Don Vito Corleone. 

A sanha de Temer em chegar à presidência só atrapalha o processo de Impeachment, porque o marketing do PT se utiliza disso para que tudo pareça um golpe. Mas é importante não misturarmos as coisas. A situação do Eduardo Cunha também ajuda bastante ao PT. Enquanto ele for o centro das atenções, o processo de Impeachment ficará em segundo plano aos olhos do povo brasileiro. O argumento usado e implantado, mais uma vez, pelo marketing do PT é que o processo não pode ir adiante, pois quem iniciou os ritos foi Cunha e ele deveria estar preso e etc. Repito, não misturemos as coisas, por favor. Se formos pedir atestado de idoneidade para quem quer que esteja na presidência da câmara, acho que este pedido de Impeachment vai ficar pra próxima, pra próxima vida. 

Enquanto Brasília ferve, a nossa economia caminha a passos de uma "tartaruga paralítica" (por Boris Casoi). Se eu fosse o Joaquim Levy também escreveria uma carta reclamando de ser um Ministro decorativo, porque Dilma só escuta seus botões e só conversa com seu umbigo. Não quer perder de jeito nenhum a maior barganha de seu partido, que é o bolsa família. Fundo do poço, já posso avistar você. 


Nenhum comentário:

Postar um comentário