sexta-feira, 4 de agosto de 2017

O Fora Temer


Em cidades pequenas é comum as pessoas não quererem se expressar sobre assuntos da comunidade, principalmente aqueles diretamente relacionados à gestão do município. Normalmente, quando se expressam estão já vinculados a algum grupo político que faz oposição ao prefeito de então. 



A lógica aí é da guerra e não da liberdade de expressão. 


O Fora Temer é um pouco isso. É aquele sentimento de torcida organizada. Como é que eu vou ser a favor de um safado, ainda mais se ele não tem popularidade nenhuma? Fora!


Mas esses movimentos nunca redundam em manifestações de rua a não ser aqueles conduzidos pelos líderes de sempre. Por isso se incomodam tanto com os batedores de panela. Afinal panela todo mundo tem em casa, é só pegar e bater. 'Mas sem um líder'?


A comunidade vai pro saco com a instalação e manutenção da inimizade política e a redução do espaço para exposição de ideias e a conversação amistosa. É preto ou branco, rico ou pobre, esquerda ou direita. 


Quando a gente demonstra preocupação com o futuro, o pior não é o cenário longínquo de Brasília, mas o embrutecimento das relações com nossos vizinhos.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

As Reformas e a Crise Política


Luana Peçanha*


É muito difícil fazer análise de conjuntura em um momento tão caótico para o Brasil. Nunca vivenciamos algo parecido em nossa história e ainda poderemos ter muitas reviravoltas. Há muitos envolvidos nesses escândalos aguardando o momento de delatar. Creio, que agora os fatos se desdobrarão com muito mais velocidade, já que não tem mais tanta novidade no conteúdo dessas delações. Palocci, Mantega e Cunha terão que correr para não perderem o benefício.

Faço um apelo de bom senso ao Parlamento brasileiro para que preservem a agenda econômica. Independente deste vácuo que temos no poder, caracterizado na figura central de um Presidente da República. É preciso que haja alguma unidade para blindar as poucas conquistas que alcançamos nos últimos meses. Mas o que vimos ontem no CAE (Comissão de Assuntos Econômicos), na leitura do parecer do tucano Ricardo Ferraço sobre a Reforma Trabalhista, foi um completo descompromisso dos opositores ao Governo com as urgências do país.

Entendo que as reformas ainda contêm algumas injustiças e que ajustes precisam ser feitos. Não há como negar o fato. A Reforma da Previdência, por exemplo, continua privilegiando uma alta casta do funcionalismo público. Mas o contrário dessas reformas é um cenário catastrófico demais. Os especialistas dizem que a relação dívida/PIB pode ultrapassar 100% em 2020. Em alguns países como os EUA, por exemplo, esta relação é superior à 100%, mas a capacidade que eles possuem de se financiar é muito maior que a nossa. A taxa de juros que remunera os títulos do governo norte-americano é baixíssima, mas todos querem comprar os títulos, devido a estabilidade da economia e devido a estabilidade monetária. O Brasil veio tropeçando nesses quesitos nos últimos anos.

Sabemos que a sociedade não deseja as reformas, apesar disso, dada a gravidade do quadro fiscal e da Previdência, não seria inteligente adiar mais, mesmo que ainda haja injustiças no sistema. É incontestável o bom trabalho, que ao atual governo vinha fazendo no campo econômico, com os indicadores começando a responder. Seria burrice e irresponsabilidade jogar tudo isso fora. Sei que é inevitável a saída de Temer e sou extremamente a favor de sua saída, mas essa transição deve ser feita com cuidado para que não caiamos em um abismo sem volta.



*Luana Peçanha é formada em Ciências Econômicas pela Universidade Estácio de Sá e pós-graduada em Engenharia Econômicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.