quarta-feira, 24 de maio de 2017

As Reformas e a Crise Política


Luana Peçanha*


É muito difícil fazer análise de conjuntura em um momento tão caótico para o Brasil. Nunca vivenciamos algo parecido em nossa história e ainda poderemos ter muitas reviravoltas. Há muitos envolvidos nesses escândalos aguardando o momento de delatar. Creio, que agora os fatos se desdobrarão com muito mais velocidade, já que não tem mais tanta novidade no conteúdo dessas delações. Palocci, Mantega e Cunha terão que correr para não perderem o benefício.

Faço um apelo de bom senso ao Parlamento brasileiro para que preservem a agenda econômica. Independente deste vácuo que temos no poder, caracterizado na figura central de um Presidente da República. É preciso que haja alguma unidade para blindar as poucas conquistas que alcançamos nos últimos meses. Mas o que vimos ontem no CAE (Comissão de Assuntos Econômicos), na leitura do parecer do tucano Ricardo Ferraço sobre a Reforma Trabalhista, foi um completo descompromisso dos opositores ao Governo com as urgências do país.

Entendo que as reformas ainda contêm algumas injustiças e que ajustes precisam ser feitos. Não há como negar o fato. A Reforma da Previdência, por exemplo, continua privilegiando uma alta casta do funcionalismo público. Mas o contrário dessas reformas é um cenário catastrófico demais. Os especialistas dizem que a relação dívida/PIB pode ultrapassar 100% em 2020. Em alguns países como os EUA, por exemplo, esta relação é superior à 100%, mas a capacidade que eles possuem de se financiar é muito maior que a nossa. A taxa de juros que remunera os títulos do governo norte-americano é baixíssima, mas todos querem comprar os títulos, devido a estabilidade da economia e devido a estabilidade monetária. O Brasil veio tropeçando nesses quesitos nos últimos anos.

Sabemos que a sociedade não deseja as reformas, apesar disso, dada a gravidade do quadro fiscal e da Previdência, não seria inteligente adiar mais, mesmo que ainda haja injustiças no sistema. É incontestável o bom trabalho, que ao atual governo vinha fazendo no campo econômico, com os indicadores começando a responder. Seria burrice e irresponsabilidade jogar tudo isso fora. Sei que é inevitável a saída de Temer e sou extremamente a favor de sua saída, mas essa transição deve ser feita com cuidado para que não caiamos em um abismo sem volta.



*Luana Peçanha é formada em Ciências Econômicas pela Universidade Estácio de Sá e pós-graduada em Engenharia Econômicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.



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