Luana Peçanha*
É muito difícil fazer análise de conjuntura em um momento tão
caótico para o Brasil. Nunca vivenciamos algo parecido em nossa história e
ainda poderemos ter muitas reviravoltas. Há muitos envolvidos nesses escândalos
aguardando o momento de delatar. Creio, que agora os fatos se desdobrarão com
muito mais velocidade, já que não tem mais tanta novidade no conteúdo dessas
delações. Palocci, Mantega e Cunha terão que correr para não perderem o
benefício.
Faço um apelo de bom senso ao Parlamento brasileiro para que
preservem a agenda econômica. Independente deste vácuo que temos no poder,
caracterizado na figura central de um Presidente da República. É preciso que
haja alguma unidade para blindar as poucas conquistas que alcançamos nos
últimos meses. Mas o que vimos ontem no CAE (Comissão de Assuntos Econômicos),
na leitura do parecer do tucano Ricardo Ferraço sobre a Reforma Trabalhista,
foi um completo descompromisso dos opositores ao Governo com as urgências do
país.
Entendo que as reformas ainda contêm algumas injustiças e que
ajustes precisam ser feitos. Não há como negar o fato. A Reforma da
Previdência, por exemplo, continua privilegiando uma alta casta do
funcionalismo público. Mas o contrário dessas reformas é um cenário
catastrófico demais. Os especialistas dizem que a relação dívida/PIB pode
ultrapassar 100% em 2020. Em alguns países como os EUA, por exemplo, esta
relação é superior à 100%, mas a capacidade que eles possuem de se financiar é
muito maior que a nossa. A taxa de juros que remunera os títulos do governo
norte-americano é baixíssima, mas todos querem comprar os títulos, devido a
estabilidade da economia e devido a estabilidade monetária. O Brasil veio
tropeçando nesses quesitos nos últimos anos.
Sabemos que a sociedade não deseja as reformas, apesar disso,
dada a gravidade do quadro fiscal e da Previdência, não seria inteligente adiar
mais, mesmo que ainda haja injustiças no sistema. É incontestável o bom
trabalho, que ao atual governo vinha fazendo no campo econômico, com os
indicadores começando a responder. Seria burrice e irresponsabilidade jogar
tudo isso fora. Sei que é inevitável a saída de Temer e sou extremamente a
favor de sua saída, mas essa transição deve ser feita com cuidado para que não
caiamos em um abismo sem volta.
*Luana Peçanha é formada em Ciências Econômicas pela
Universidade Estácio de Sá e pós-graduada em Engenharia Econômicas pela Universidade
do Estado do Rio de Janeiro.
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