Rio, eu te amo
Mas estou rindo pra não chorar
Rio pra aplacar a dor
Para ter coragem de descer a ladeira
E ir trabalhar
Rio de nervoso e pavor
Para o perigo que veste farda
Para o que não veste nada
Rio de Janeiro
Minha alma canta em versos tristes
Sente o baque do batuque
Dos corpos que tombam
Sobre teu rio de lágrimas
Lágrimas das águas de março
Que caem em fevereiro
Ah meu Rio de Janeiro
Eu que jurei amar-te o ano inteiro
Que usufrui da tua mágica
Hoje o teu zanzar me causa náusea
São Sebastião, Oxossi rei das matas
O Cristo esta de braços abertos
E ferida exposta
De Estácio de Sá a Luiz Fernando
Rio pra não chorar
De Pessoa de Barros a Crivella
Rio pra não chorar
Pereira Passos nos livrou
Da varíola, da cólera, da febre amarela
Mas não aterrou a corrupção
Rio pra não chorar
Rio e 453 anos de nada pra comemorar
Nenhum comentário:
Postar um comentário