segunda-feira, 21 de setembro de 2015

"Se é loucura, então melhor não ter razão"

Usando um trecho da música "O Último Romântico", do Lulu Santos, teço a crônica de hoje, que nada tem a ver com economia e política. Hoje só quero falar daquilo que mais amo, as relações humanas.

O ato de demonstrar amor, a coragem de dizer que ama, e a coragem ainda maior de expor nossas vulnerabilidades são lições que aprendi com duas senhoras muito importantes na minha vida. Com elas aprendi que o ser humano é mais bonito quando permite se mostrar vulnerável e que a perfeição não é sedutora porque é irreal. Com elas entendi que é justamente quando a gente consegue exibir fraquezas que podemos nos conectar com o outro de forma sincera e profunda, permitimo-nos ser verdadeiramente amados e entendemos como estamos todos tão intensamente ligados.

Você pode fugir das pessoas, dos confrontos, dos seus medos, das suas dúvidas, mas nunca vai conseguir fugir de si mesmo. O que você realmente sente e o que você realmente pensa saltarão diante do espelho e diante daqueles que compreendem olhares, palavras não ditas e silêncios. Aprendi que o exercício de ser quem somos é doloroso, mas grandioso no sentido de entender a vida, entender o próximo, as adversidades e saber que tudo é transitório. Por mais que o medo nos faça permanecer na mesma posição a vida não vai parar junto. 

A intensidade e a vulnerabilidade podem assustar e até confundir os mais cautelosos. Mas a verdade sempre prevalece, mesmo quando não queremos enxergá-la. Algumas pessoas se debatem a vida inteira e só mudam de ideia no último suspiro, quando é tarde demais para a enorme felicidade que é viver sem amarras. Bota sentimentos bons em suas intenções e viverás melhor contigo mesmo e com teus irmãos nesta jornada. 

Não nos deixemos levar pelos imaturos - sentimentalmente falando - pois como adultos morais temos a consciência da nossa missão educadora. Tendo nossas paciências testadas, que o Mestre Jesus possa nos iluminar as mentes e os corações, através do exemplo que praticara em vida. Amando ao próximo e compreendendo que todos, irrestritamente, passamos por provações neste mundo. Por mais difícil que seja devemos respeitar o tempo de cada um dos nossos irmãos para que um dia libertados das angústias possamos viver em paz com nosso semelhante praticando o perdão e reconhecendo que estamos todos na mesma escola, chamada vida.

sábado, 12 de setembro de 2015

As tradições

Quando eu era uma criança, lembro de ouvir mães dizendo a filhos que lhes deixariam linhas telefônicas como herança. Um pouco mais velha, na escola, aprendi que Che Guevara foi um mártir e que o comunismo era um sistema igualitário (mas não me disseram que ele preteria a liberdade) e que o capitalismo era o grande causador de toda a aflição humana. Mais pra frente, me disseram para entrar na faculdade e arrumar um empreguinho legal, mas jamais se aprofundaram no conceito de "empreender". Industriais e capitalistas eram retratados em charges na escola como homens obesos, fumando charutos e bebendo whisky sentados sobre pilhas suspeitas e infinitas de dinheiro, geradas por semi-escravos explorados até a última gota de suor (mais tarde um desses pobres anjinhos pueris assumiria o poder e protagonizaria um dos maiores escândalos de corrupção da história do Brasil).


E mais velha, quando descobri que uma parcela considerável do que me foi transmitido não foi bem assim, concluí que a busca por conhecimento é a única porta de saída desta emboscada que as tradições nos colocam. Tradições são estáticas, e o estático é facilmente engolido num mundo dinâmico. Quem não busca conhecimento fica parado no tempo e a dinâmica do aprendizado através de tradições deveria ser inversa a do senso comum: desaprender. Devemos desaprender o que fomos programados a acreditar.

Não é uma linha telefônica ou um apartamento as maiores heranças que se pode deixar para um filho, mas o conhecimento.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Pena que foi sonho

Ontem tive um dia muito atribulado no trabalho. O disjuntor da cozinha estava faiscando. Chamei um eletricista às pressas, que prontamente resolveu o problema trocando o disjuntor sem que precisasse desligar a força. Continuamos o trabalho normalmente. À noite, depois de assistir à entrevista do Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, fui dormir extremamente preocupada com a situação da economia brasileira e com ele próprio, que é a única voz sensata neste governo.

Adormeci e sonhei que o Ministro Levy era o eletricista que trocou o disjuntor. Ele trazia um cartaz onde fazia uma comparação entre lâmpadas e luz do conhecimento. Tão logo, recolhia a cartolina e todos os presentes o olhavam sem nada entender. Quem dera fosse simples assim, como uma troca de disjuntores.

O cenário adiante é o que já desenhamos diversas vezes: com a nota de rebaixamento do Brasil, pela principal agência de risco, ficará impossível conter a escalada da moeda norte-americana. Esta situação agrava a inflação e a perda de valor de mercado de empresas brasileiras, que possuem dívidas em dólar. Definitivamente, os últimos anos não foram nada felizes para o Ibovespa.

Com o fantasma da inflação e a dificuldade de convergi-la para meta em 2016, o BC não terá outra alternativa, aumentará a taxa básica de juros. Resultado? Recessão, recessão e recessão. Desemprego, desemprego e desemprego. Aumento da mão de obra informal e a dificuldade de arrecadar os impostos. Aumento das convulsões sociais pela redução das oportunidades de emprego, redução do poder de compra e corte em programas transferência de renda.

O governo falhou de todas as maneiras. Acabaram com a Lei de Responsabilidade Fiscal. O rebaixamento é só a sintaxe da desordem. Tragédia anunciada com bastante antecedência, diga-se de passagem. Acreditaram que teriam mais crescimento incentivando a demanda de forma desordenada e eleitoreira. Esquecendo-se ou ignorando, que nosso problema nunca foi a demanda e sim a oferta. Colocaram em risco conquistas atingidas à duras penas.

Dilma é de fato um cão de guarda e osso duro de roer, por muito menos um grande estadista se matou, outro renunciou e teve até quem fosse impedido. A situação da presidente está insustentável e nosso futuro, duvidoso. Quem teria coragem de segurar uma corda sem sustentação diante de um desfiladeiro? Acho que só a Dilma. 


quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Encontros e Despedidas


Como muito bem descreveu Milton Nascimento, em uma de suas canções, a vida é feita de encontros e despedidas. Ele usa como cenário uma estação de trem, aonde diariamente, pessoas chegam e vão embora. Não é fácil dar adeus às pessoas que gostamos ou que aprendemos a gostar pela boa convivência que nos proporcionaram.

Terei que me despedir da mais grata surpresa dos últimos anos. Amizades nascem de afinidades ou por circunstâncias, mas não é à toa que elas perduram, crescem e amadurecem. Eu encontrei pelo caminho pessoas tão ricas em sentimento e calor humano, que meu coração se alegra por isso, apesar da tristeza que reside na distância.

Era da opinião de que não importa a distância e o tempo, amigos serão sempre amigos. É bem verdade que a vida nos leva por caminhos que não conseguimos prever e muitas vezes somos obrigados a nos afastar de pessoas queridas, por maior que seja o esforço, os objetivos em comum se desfazem e as circunstâncias também. Claro, que é possível depois de anos de afastamento sentir a felicidade de um reencontro. E aquela velha amizade continuar a mesma. Só que a presença é algo fundamental, porque a amizade nos trás benefícios incalculáveis.

O amigo de verdade estará com você em todas as horas. Ele será o único a reparar que você tem algum problema mesmo sorrindo. Ele perceberá qualquer alteração no seu comportamento. Quando você ficar triste, o amigo não medirá esforços para te ver sorrir e comemorará com você suas vitórias. Ele não se incomodará com seu sucesso, porque entre vocês tudo é dividido e compartilhado. O amigo te amará até no seu pior. Ele pode se chatear e até brigar, mas não vai guardar ressentimento, simplesmente porque ele te ama e não consegue ficar longe de você. Entre vocês não haverá mal entendidos. O amigo de verdade irá lhe procurar e falar seus sentimentos olhando em seus olhos, porque ele te respeita e porque respeita a própria amizade.

Você, peixinha, foi fundamental nesses últimos 3 anos. Sem a sua parceria diária não sei se teria sobrevivido a tantas reviravoltas. Sua presença ajudou a curar feridas e me trouxe paz. Não há nada que pague esta paz de poder confiar nossos sonhos mais íntimos e de ser ouvido sem reservas.

Um amigo mais chegado é quase irmão. Como me diverti com você em todos os nossos almoços malucos e passeios inventados. Os amigos são assim, trazem à tona o nosso lado mais divertido, mais brincalhão. Não esquecerei nossa viagem. Ficará na memória com todo carinho e espero que possamos fazer muitas outras. Treina bastante pra me ganhar na próxima prova de triátlon em Guarajuba. 

Sua amizade me fez uma pessoa melhor. Espero ter contribuído de forma positiva para sua vida e te desejo toda sorte do mundo. Estou triste em me despedir, mas feliz por sua conquista. Não foram poucas as vezes que nos apoiamos e desabafamos sobre os sonhos, sobre a carreira, sobre os amores e até desejos semelhantes de mudar para um lugar mais tranquilo. Com um pouco de boa vontade ainda faremos muitas coisas juntas pra lá dos 90 anos. Sem contar que serei sua madrinha de casamento (risos).

Minha crônica de hoje é pra te homenagear, porque a minha escrita e meu sentimento são o que posso te oferecer de mais valioso e sincero. Que Deus te abençoe, querida peixinha. Vou morrer de saudades. 


sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Não é clichê, realmente, no fim das contas, pequenas atitudes acumuladas podem gerar grandes resultados. E nunca devemos desistir do ser humano. Pessoas são sempre surpreendentes e algumas vezes te surpreendem pro melhor. Que continue assim! Que seja sempre! "Quem acredita sempre alcança!"

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Pensamento do dia

O amor cura tudo!
Eita força bruta que conforta!
O amor é mar que deságua no rio
Que alenta
Que acolhe
Que recolhe do frio
os tristes e os nobres
Nobreza é coração forte
Que perdoa
Que recebe
E que não escolhe
O amor é mais
É a totalidade do ser
Do estar
Do entardecer
De um sol que ardeu
E foi dormir de manso
O amor é remanso
É um sono preguiçoso
num domingo qualquer
E amar você é ter tudo
mesmo não tendo nada
É estar desnudo
com a alma coberta
É olhar mais fundo
É um sossego sem fim...