Ontem tive um dia muito
atribulado no trabalho. O disjuntor da cozinha estava faiscando. Chamei um
eletricista às pressas, que prontamente resolveu o problema trocando o
disjuntor sem que precisasse desligar a força. Continuamos o trabalho
normalmente. À noite, depois de assistir à entrevista do Ministro da Fazenda,
Joaquim Levy, fui dormir extremamente preocupada com a situação da economia
brasileira e com ele próprio, que é a única voz sensata neste governo.
Adormeci e sonhei que o Ministro
Levy era o eletricista que trocou o disjuntor. Ele trazia um cartaz onde fazia
uma comparação entre lâmpadas e luz do conhecimento. Tão logo, recolhia a
cartolina e todos os presentes o olhavam sem nada entender. Quem dera fosse
simples assim, como uma troca de disjuntores.
O cenário adiante é o que já
desenhamos diversas vezes: com a nota de rebaixamento do Brasil, pela principal
agência de risco, ficará impossível conter a escalada da moeda norte-americana.
Esta situação agrava a inflação e a perda de valor de mercado de empresas
brasileiras, que possuem dívidas em dólar. Definitivamente, os últimos anos não
foram nada felizes para o Ibovespa.
Com o fantasma da inflação e a
dificuldade de convergi-la para meta em 2016, o BC não terá outra alternativa,
aumentará a taxa básica de juros. Resultado? Recessão, recessão e recessão.
Desemprego, desemprego e desemprego. Aumento da mão de obra informal e a
dificuldade de arrecadar os impostos. Aumento das convulsões sociais pela
redução das oportunidades de emprego, redução do poder de compra e corte em
programas transferência de renda.
O governo falhou de todas as
maneiras. Acabaram com a Lei de Responsabilidade Fiscal. O rebaixamento é só a sintaxe da desordem. Tragédia anunciada com bastante antecedência, diga-se
de passagem. Acreditaram que teriam mais crescimento incentivando a demanda de
forma desordenada e eleitoreira. Esquecendo-se ou ignorando, que nosso problema
nunca foi a demanda e sim a oferta. Colocaram em risco conquistas atingidas à
duras penas.
Dilma é de fato um cão de guarda
e osso duro de roer, por muito menos um grande estadista se matou, outro renunciou
e teve até quem fosse impedido. A situação da presidente está insustentável e
nosso futuro, duvidoso. Quem teria coragem de segurar uma corda sem sustentação
diante de um desfiladeiro? Acho que só a Dilma.
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