sexta-feira, 26 de junho de 2015

Ao meu eterno melhor amigo

Toda vez que acho que estou começando a entender alguma coisa vem a roda da vida e muda tudo de novo. Ontem eu estava num dia muito feliz, com bom humor e brilho nos olhos, até receber a notícia que um amigo de infância morreu. A ficha não caiu muito bem na hora, porque estava em uma confraternização cheia de alegria, mas senti minhas pernas fraquejarem.

Jackson não era um amigo qualquer, ele era “o amigo”. As circunstâncias da vida nos afastaram, mas sempre tive por ele e por sua família um enorme carinho. Ele me ensinou a jogar bolinha de gude, a fazer arapuca para pegar passarinho, a descer barranco sem medo de cair. Ele era meu melhor amigo, um dos poucos que tinha naquela época, porque eu era uma criança muito tímida, mas tinha uma grande energia para a brincadeira. Era só nisso que eu pensava.

Eu passava muitas tardes na casa do Jackson e ele na minha. Nossas mães eram muito amigas. Tia Regina é uma das pessoas mais lindas que já conheci. Uma mulher amorosa, de sorriso largo, que passava um carinho, uma força... nem quero imaginar a dor que ela está vivendo. Não é justo. Só quero me lembrar de todos os momentos felizes que passamos juntos.

Eu tenho uma religião e estudo muito sobre ela, mas quando acontece com a gente é difícil demais chamar a razão. Tantos amigos que se foram, meu Deus! E tão jovens! Tão alegres! Receber este tipo de notícia é sempre um baque. É o momento que a gente para a nossa correria diária para de fato pensar na vida e avaliar a inutilidade de certas atitudes e sentimentos como o egoísmo, o remoer de mágoas, a negação, a privação e tantas e tantas situações que vamos criando por conta do nosso orgulho.

O que dói de verdade são os momentos que deixamos de compartilhar, as risadas que deixamos de dar juntos, o abraço em tempos difíceis, o estar lá nos acontecimentos importantes: a festa de debutante, o primeiro beijo, a formatura, o primeiro emprego, o primeiro carro, o casamento, os filhos e as limitações da velhice. Quando os caminhos mudam é natural o afastamento e quando assim acontece tudo de bom permanece e cada encontro, por pouco que seja, ou demore o tempo que demorar, a amizade é a mesma. Amigos serão sempre amigos. 


Amizade é um sentimento que tem que estar no nimbo dos deuses. É algo puro, que exige respeito, dedicação, admiração, paciência, carinho e acima de tudo, amor. E você, meu amigo Jackson foi tudo isso pra mim, durante o tempo que pudemos conviver. Que Deus o receba em sua glória e ampare a sua família. Você estará nas minhas orações, meu parceiro de recreios, brincadeiras fora da escola... lembro da gente pegando doce em dia de São Cosme e São Damião, da gente jogando atari, dynavison e master system, dos álbuns de figurinha, da gente jogando bafo, da vez que você me deu toda sua coleção de bolinhas de gude, das festinhas de aniversário, do abacateiro que tinha no quintal da sua casa... eu me lembro de tudo e pra sempre vou lembrar. Obrigada.

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