quarta-feira, 10 de junho de 2015

Menos, Muito Menos

A idade é algo curioso. Ao mesmo tempo em que ocorre uma decadência física e isso incomoda, também ocorre uma transformação interna, que é muito positiva, pelo menos para mim tem sido assim. A gente passa a fazer menos questão das coisas. Menos questão de saber de tudo, menos questão de estar certo, menos questão de badalações, menos questão de convites, menos, menos e menos. A bagagem vai ficando cada vez menor.

Hoje seleciono os assuntos dos quais quero me inteirar. Sim, eu fiz economia, mas só leio o que me interessa. Cansei! Tenho pouca motivação para provar meu valor. Acho que a esta altura não há mais necessidade. Já tive essa vontade, de ser aceita, de provar que falo a verdade, que sou honesta e que não sou aquilo que você pensa. Cansei! É impossível agradar todo mundo. E como diziam os antigos “coração do outro é terra que ninguém pisa”. Se com 15 anos não julgava, agora, mais de 15 anos depois, vou fazê-lo? Pra que? Quero não. Quero paz. Quero sossego. A vida é louca e corrida por si só. Não vou complicar.

Quanto aos relacionamentos, só quero perto de mim quem puder extrair o meu melhor. Porque existem algumas pessoas que fazem aflorar o seu pior lado. Aquele lado barraqueira, ciumenta, ressentida e por aí vai. O que me move são as questões humanas, suas dores, seus medos, suas rugas, cicatrizes, histórias, alegrias. Quero você independente de idade, mas que seja de verdade, que seja inteiro, que seja humano. Basta de gente que não erra, que não pede desculpas.

Eu adoro conversar com pessoas mais velhas. Sabem o motivo? É muito raro encontrar pessoas que sejam maduras e que tenham algo bacana para transmitir. Por isso, quando estou com um grande dilema procuro alguém mais experiente para me aconselhar ou alguém que tenha esse espírito mais introspectivo e observador. Raras são as pessoas que sabem ouvir. A maioria só fala de si, seja dos seus problemas ou de suas conquistas, mas não tem a preocupação de perceber se o outro está preparado pra ouvir. Por exemplo, consegui realizar um sonho e vou contar a um amigo. Primeiro tenho que ver se aquela pessoa está bem pra receber o meu sucesso. Não porque ele queira meu mal, mas se esta pessoa estiver em um momento ruim pode acabar comparando sua vida com a minha e talvez eu não receba desta pessoa a energia que desejava e também acabe provocando nela um sentimento de derrota. Isso é da condição humana.

Meu desejo para os próximos anos é conhecer cada vez mais o ser humano e observá-lo. Meu desejo é ser anárquica com meu trabalho, com minha rotina. Devagarzinho chegarei lá, embora isso exija um pouco de rebeldia e meu temperamento é mais pacífico. Entretanto, sou admiradora da rebeldia. Está faltando um pouco disso no mundo. Estamos encaretando e ficando lineares, iguaizinhos, padronizados. E isso tudo é muito chato. Alguém precisa desafiar o status quo e ligar o ‘foda-se’.

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